quarta-feira, 25 de maio de 2011

caminhava por entre os viventes
desse pequeno grande mundo
onde sempre que me vejo
estou sozinho, desamparado

corro até a próxima esquina
alguém me adverte
que o que falo, fere
que como ajo, interfere.

há alguém ao meu lado
caminhando na mesma direção
pergunto lhe sobre teu destino junto a mim
-És tu amigo ou és quem me puxa na contramão?

-És quem me ajudará ou quem me deixará?
enfim paro, reflito, confiro e concluo:
"uma chance todos merecem, se for o caso de um inimigo...
farei-lhe sentir como nunca imaginará antes,
e tentarei de meu modo, tornar-lhe um peão do meu xadrez"

e tudo toma sentido
minha insegurança começa a se diluir
minha confiança você começa a ganhar
meus passos coincidem com os seus

nossa direção parece a mesma
até que em um simples piscar de meus olhos
e em uma simples frase da qual tu discordas...
em minha frente atravessas
me bato em tuas costas e ao chão me vou

te olho indignado, seu olhar segue firme, para frente
longos minutos se passam...
levanto-me sozinho
alcanço-te correndo
já há mais companhias a seu lado...

então pergunto-lhe o motivo de deixar-me
de dar-me às costas quando de ti precisei
você apenas desdobra com uma desculpa
eu finjo acreditar.

Então novamente,
paro, reflito, confiro e concluo:
"continuarei a teu lado, andando descompassadamente,
distanciado para que dessa vez possa me desviar ao passar meu caminho,
e elegantemente te desequilibrarei, deixarei cair...
e te levantarei."

só assim poderei mostrar
que se andarmos juntos
você deve me ajudar e eu devo de retribuir
pois não só de alimento vive o ser humano
sentimentos e boas ações são essências
e sempre bem-vindas.


só então poderei explicar
que as feridas que abro ao me pronunciar
serão cicatrizadas na primeira oportunidade, minha, de agir
e que meu modo de interferir perante os outros
será visto como uma forma de apenas querer o bem
sem olhar à quem..